15 de maio de 2016

'The Guardian' e 'The New York Times' criticam impeachment em editoriais

Jornais defenderam que o sistema político é que deveria ser julgado e que Dilma pagou preço desproporcionalmente alto
Dilma fez pronunciamento no Planalto após ser notificada sobre decisão do Senado de afastá-la
Dilma fez pronunciamento no Planalto após ser notificada
sobre decisão do Senado de afastá-la
Jornais estrangeiros dedicaram nesta sexta-feira (13) espaço em seus editoriais para falar da situação política no Brasil, um dia após Michel Temer assumir interinamente a Presidência da República. O americano The New York Times afirma que a presidente afastada Dilma Rousseff paga um preço “desproporcionalmente alto” por erros administrativos que cometeu, enquanto vários de seus maiores detratores são acusados de crimes mais flagrantes.
Os britânicos Financial Times e The Guardian trouxeram visões diferentes sobre o processo de impeachment. O FT qualificou o afastamento como “longe de ser perfeito”, mas destacou que, se Michel Temer conseguir colocar a economia de volta aos trilhos e continuar com a luta contra a corrupção, “deixará um legado considerável”.
Já o Guardian publicou duro editorial, criticando o processo e avaliando que o sistema político é que deveria ser julgado, e não a presidente da República.
O editorial do FT diz que Temer enfrenta uma “tarefa assustadora” na Presidência da República com uma crise tripla: econômica, ética e política. No topo das prioridades, o FT diz que está a situação da economia. A nomeação de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda e o rumor de que Ilan Goldfajn pode ir para o Banco Central são “encorajadores”, diz o jornal, que avalia a equipe econômica como “digna de confiança”. Sobre a crise ética, o FT lembra que a Operação Lava Jato pesa sobre boa parte do Congresso e até sobre o próprio Temer. Por isso, o editorial defende que o presidente em exercício “deve permitir que as investigações continuem seu curso”.
Ao reconhecer a controvérsia sobre a argumentação jurídica que baseia o processo de impeachment, o FT afirma que o resultado do desdobramento da crise política visto “está longe de ser perfeito”.
“O elemento tóxico final na crise foi a percepção de muitos políticos que os procuradores poderiam descobrir mais coisas sobre eles e uma maneira de evitar ou reduzir essa possibilidade poderia ser distrair a atenção e tomar o controle político com o processo de impeachment da chefe de Estado”, cita o editorial. O Guardian diz que “a ironia é que muitos dos acusadores são acusados e por pecados piores”. O texto cita Eduardo Cunha e lembra que Dilma não é acusada, nem investigada por corrupção. Diante desse quadro, o Guardian defende que “o que deveria estar em julgamento acima de tudo é o modelo político brasileiro que falhou”.
Com o título Fazendo a crise política piorar, o editorial do New York Times, maior jornal dos EUA defende que os brasileiros deveriam ter o direito de eleger um novo presidente. O jornal avalia que Dilma pode ter sido uma governante “ruim”, mas foi eleita duas vezes nas urnas e não há evidência de que ela usou seu cargo para enriquecimento pessoal, enquanto outros políticos que a acusam estão envolvidos em escândalos de corrupção. O NYT ressalta que Temer foi condenado pela Justiça eleitoral e está inelegível por oito anos e o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que aceitou o pedido de impeachment de Dilma, foi afastado por denúncias de corrupção.
O jornal diz que o governo pode representar uma guinada para a direita, como em outros países da América Latina.
O jornal inglês,The Guardian, pede a opinião dos brasileiros. Clique aqui e comente


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