O Brasil ainda era colônia de Portugal quando Serra Preta se tornou um importante entreposto econômico ![]() |
A pequena cidade de Serra Preta de 1722 ainda é pouco conhecida pelos baianos. |
Serra Preta foi elevada a vila
em 15 de agosto de 1722. Hoje, está comemorando 300 anos de reconhecimento
urbanístico. O Brasil ainda era colônia de Portugal quando Serra Preta se
tornou um importante entreposto econômico para comerciantes e aventureiros que
buscavam explorar territórios entre o litoral e o vasto sertão baiano.
Quem conhece a cidade de Serra
Preta sabe que sua localização foi estratégica para a economia passada, baseada
no plantation colonial. A cidade foi palco de batalhas, ou melhor, massacre português
sobre os povos originários Paiaiás, que controlavam uma nascente de riacho,
hoje conhecida com Tanque Velho. A vitória portuguesa impôs seu modelo de
produção colonial, adotando extração de madeira, fazendas agropastoris e mão de
obra escravizadas.
Serra Preta foi tão cobiçada,
que sua aglomeração urbana é mais antiga do que Feira de Santana - maior cidade
do interior do nordeste, ultrapassando 600 mil habitantes. A cidade de Serra
Preta está a 50 km da Princesa do Sertão, onde parte de sua população migrou em
busca de oportunidades diversas.
Em 1954, Serra Preta se
emancipou do município de Ipirá. Porém, mesmo na condição de sede municipal,
presenciou a localidade de Bravo e de Ponto se desenvolverem mais intensamente.
No final dos anos 90, o distrito de Bravo quase se tornou sede municipal, mas
não conseguiu votos suficientes para a própria emancipação, a maioria dos moradores
rejeitaram a proposta.
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Para o historiador Mário Ângelo Barreto, o Tombamento Histórico é um dos caminhos para o resgate da economia da cidade |
A cidade de Serra Preta atualmente precisa ser revitalizada. Festejo centenário - A Capina do Monte - não atrai multidões. Para o historiador Mário Ângelo Barreto, o Tombamento Histórico é um dos caminhos para resgatar a economia da cidade e preservar o que restou de seu passado colonial. “Atualmente a cidade está perdendo até mesmo a memória histórica, já que o poder público pouco realiza neste sentido. Serra Preta não publica livro nem revista sobre sua identidade. Desconheço trabalho relevante nas escolas para o resgate e a preservação da memória local”, alerta Barreto.
Para as comemorações desta
segunda-feira (15), a prefeitura divulgou um card com a programação das
comemorações dos 300 anos, quando Serra Preta foi elevada a vila. Segundo a
divulgação da prefeitura, a cidade contará com uma celebração católica,
apresentações culturais e a entrega de uma 'nova escola municipal'.
De fato, quem classificaram as
comemorações como limitadas parecem estar com a razão. O poder público
municipal perde a oportunidade de colocar a cidade de Serra Preta no cenário
baiano, atraindo o IPAC e IPHAN, com o objetivo de viabilizar
do Tombamento Histórico, gerando emprego e renda. Mas se falando em festa,
parece que nenhuma atração musical de peso se apresentará na cidade histórica
que poucos baianos conhecem. Vamos aguardar 2023!
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