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3 de agosto de 2012

Serra Preta precisa ser resgatada

História e abandono marcam a cidade de Serra Preta, fundada em 1722

Serra Preta é uma das cidades mais tradicionais da Bahia
Talvez na Bahia não exista uma sede municipal mais abandonada e esquecida do que Serra Preta.  Por outro lado, são poucas as cidades baianas com a singularidade e a riqueza histórica de Serra Preta.

Serra Preta é data de 1722, cem anos antes da independência do Brasil. As terras, onde hoje a cidade localiza, foram conquistadas por “José Pereira Mascarenhas, vindo do Estado do Piauí, trazendo três filhos e inúmeros escravos”, registra um documento histórico do município escrito em 1971 pelo poder público.

Mascarenhas beneficiou o local, montando um engenho de açúcar, onde gradativamente desenvolveu o povoado de Boa Vista. O povoado era estratégico para os mercadores que vinham de Cachoeira em direção ao sertão. Além de apoio logístico, os viajantes contavam com a Lagoa dos Milagres, conhecido como Tanque Velho, importante reserva natural de água doce propícia ao consumo. 

Em 15 de agosto de 1722, foi edificada a capela, financiada por João Carneiro de Oliveira, onde homenageou Nossa Senhora do Bom Conselho. A partir de então o povoado passou a se chamar Boa Vista do Bom Conselho. Em 1831, mesmo anos em que D. Pedro I abandonou o trono do Império brasileiro, foi criado o Cartório de Paz, já com o povoado denominado Serra Preta. Em 1938, Serra Preta foi elevada a condição de Vila de Serra Preta e subordinada ao município de Ipirá. Em 1953, a Lei Estadual 604 de 19 de dezembro tornou-se Serra Preta cidade. 

O censo de 1950 registrou uma população mais elevada que a atual. 18.907 pessoas habitavam Serra Preta, hoje, o IBGE registra 15.401 habitantes. A população se concentrava basicamente na zona rural. Nesses anos, Serra Preta enquanto centro urbano, possui 413 habitantes, atualmente pouco mais de 700 pessoas. Outras aglomerações urbanas já existiam como o povoado do Ponto de Serra Preta com 640 habitantes e o Bravo com 430 habitantes.

 Ascensão e Decadência
No passado, Serra Preta foi ponto estratégico entre o litoral e o sertão

Casarões históricos são substituídos por novas construções

Poder Público é totalmente ausente na conservação do patrimônio histórico

Nos tempos de glória, a cidade de Serra Preta era o principal centro urbano, comercial, político e cultural. As festas religiosas e populares eram bastante atraentes. Multidões ocupavam a cidade durante os festejos. Segundo o historiador Mário Ângelo Barreto, os antigos frequentadores da cidade diziam que “morar em frente à Igreja do Bom Conselho era um privilégio para poucos”. 

Sem projeto sustentável, a cidade de Serra Preta é ameçada a desaparecer
Atualmente, Serra Preta vive um processo de esvaziamento. Muito estão abandonando a cidade em busca de oportunidades em outros centros. Serra Preta perdeu a magia e o centro do poder. O distrito municipal do Bravo, com mais de 7.000 habitantes, passou a exercer a hegemonia urbana, comercial e administrativa. Com a perda da hegemonia local, as moradias da cidade histórica não acompanham o valor imobiliário comparadas com outras localidades. Alguns casarões são abandonados e sorte é o proprietário que consegue alugar um dos imóveis em Serra Preta. 

Da fraqueza surge a força
 Para o historiador Mário Ângelo Barreto, uma das saídas de desenvolvimento para Serra Preta é o resgate cultural e o reconhecimento histórico

Rua Coronel João Reis está sendo descaracterizada paulatinamente
Para o historiador Mário Ângelo S. Barreto nem tudo está perdido em Serra Preta. A história e o parque urbano são a grande riqueza local. “Quando piso na cidade de Serra Preta me sinto pisando em ouro vivo. É preciso debater com os moradores locais a riqueza que eles têm e não conseguem aproveitar, nem conservar. Desejo trazer a tona a valorização histórica e fortalecer o processo de tombamento arquitetônico da cidade”, argumenta.

Para Ângelo, Serra Preta é totalmente viável economicamente, assim como Cachoeira, Lençóis e outras cidades históricas. “Serra Preta tem características urbanas semelhantes à de Igatu, distrito de Andaraí na Chapada Diamantina, mas com facilidade de acesso melhor”. Igatu fica sobre a serra do Sicorá e a via de acesso é uma bonita, mas difícil estrada de pedras; enquanto Serra Preta fica próxima da BA -052 e apenas a 160 km de Salvador.
Serra Preta, 148 Km de Salvador, precisa ser revitalizada

Serra Preta é vítima de gestão pública amadora. A prefeitura não possui nenhum projeto para a cidade. Há anos, o município foi administrado por um grupo político que virou as costas para a Sede. Sem projeto sustentável, o poder público cometeu um crime, que se logo nada for feito pode resultar no desaparecimento do centro urbano secular.

Casarões históricos não recebem a devida proteção pública
Além de seu povo, as riquezas da cidade são seus casarões, calçadas e o traçado urbano - o que vem desaparecendo gradativamente. Os moradores perderam a consciência de sua história, muitos estão destruídos as casas seculares e construídos outras no local – o que é um erro grave! Alguns moradores acham até importante destruir o patrimônio histórico e construir uma nova residência no lugar. A própria prefeitura destruiu um barracão histórico e construiu um mercado comercial no local. Mais recente, construiu uma quadra de esporte bem em cima da nascente de um antigo córrego. Ou seja, quem deveria cuidar e fiscalizar é o primeiro a destruir.

Cabe à prefeitura revitalizar a cidade e tombá-la como nosso patrimônio municipal. O Estado também precisa tomar conhecimento da situação e através de seus institutos, IPHAN e IPAC, legitimar o processo de reconhecimento de Serra Preta como patrimônio cultural e arquitetônico da Bahia. 
População local deve aproveitar o ano eleitoral e cobrar melhorias
Este ano é um ano eleitoral e a população local, principalmente, deve exigir dos candidatos o compromisso político em abraçar a causa e transformar Serra Preta numa potência cultural, artística e turística da Bahia. O prefeito atual pouco fez. Chegou a reformar a caixa d'água, mas descaracterizou a originalidade. Dividiu a pintura em duas partes, verde e amarelo, cores de sua gestão.

A candidata da oposição, Angélica, se comprometeu politicamente, em revitalizar a Sede, dentro dos critérios do IPHAN e PAC. Também, confirmou que se for eleita enviará em tempo ágio um projeto de Lei reconhecendo a importância histórica de Serra Preta. Vamos torcer para que o resgate da memória seja o interesse de todos. Só assim, Serra Preta poderá, a médio prazo, recuperar os tempos nobres que sempre teve.






11 de dezembro de 2023

Qual o futuro da Capina do Monte em Serra Preta?

Número de participantes cada vez menor.
Foto: Prefeitura Municipal de Serra Preta 

Neste domingo (10), aconteceu mais uma edição da festa centenária da Capina do Monte na cidade histórica de Serra Preta, 150 km de Salvador. Sem dúvida, a Capina é a festa mais tradicional do município e certamente com grande relevância cultural para o Estado da Bahia. Porém, fora do calendário baiano e sem divulgação, o evento perde força há cada ano.

A cidade de Serra Preta é um tesouro que precisa ser desenterrado, assim define o historiador Mário Ângelo S. Barreto. É uma cidade elevada a vila em 1722, uma das cidades mais antigas da Bahia. Ao chegar na cidade, o visitante logo avista belas serras e o Tanque Velho, nascente de riacho onde os povos originários Paiaiá, secularmente, bebiam água.

A região, que parecia um oásis em pelo semiárido, foi conquistada pelos portugueses no século XVII, expulsando os Paiaiás. Serra Preta se transformou num plantation açucareiro, através da mão-de-obra negra escravizada. Por isso, Serra Preta se transformou numa pequena cidade quilombola não reconhecida.

Com toda a sua riqueza histórica, Serra Preta ainda é palco da festa da Capina do Monte, que sempre se comemorou no dia 15 de dezembro. Não há registro sobre a origem da Capina, mas a história oral entre os moradores leva a crer que o evento ultrapasse os cem anos facilmente.

A Capina do Monte é realizada por trabalhadores rurais que se reúnem, uma vez no ano, para capinar a estrada reta que dá acesso ao cume do monte em frente a prefeitura municipal. Os trabalhadores capinam o espaço, cantando, rezando, sambando e soltando fogos. Promessas são feitas. No alto da montanha, há uma pequena capela, sob o domínio da Igreja Católica, onde membros do clero recebem os trabalhadores com seus rituais típicos.

Moradores dizem que a Capina do Monte recebiam multidões. Era uma festa esperada por toda a região. Porém, a festa se apequenou com o tempo. Há anos, a Capina é tocada por poucos trabalhadores. Não há uma divulgação relevante, o que ajuda a distanciar visitantes. Organizadores mudaram a data do evento para todo segundo domingo de dezembro, mas não surtiu o efeito desejado. A festa se tornou uma mera resistência ao tempo.

O desafio agora é não deixar a festa morrer. Os organizadores apostam na mística da continuidade, mas é preciso atrair novos atores, turistas e também patrocinadores. A prefeitura municipal é a principal financiadora do evento, mas parece não estudar e executar novas estratégias atrativas. “É uma festa da cultura negra. Precisa ser inserida na programação ou no currículo escolar, além de investir numa grade musical que atraia a juventude”, indica Barreto.

Uma outra urgência seria a promoção da Capina do Monte na agenda cultural da Bahia, reconhecendo como patrimônio imaterial do Estado. A prefeitura municipal precisa provocar o IPAC, a Secretaria de Turismo do Estado e agentes culturais para abraçarem a festa. É um crime abdicar da riqueza da Capina do Monte, é reforçar o racismo estrutural. Sem dúvida, o futuro da Capina é ressignificar sua simbologia, atrair multidão, colaborando com o desenvolvimento de emprego e renda através do turismo festivo tradicional. Passou da hora de continuar capinando novos caminhos sempre para o alto.

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Dezembro foi o mês da Capina do Monte em Serra Preta





6 de outubro de 2013

O ELO PERDIDO: Serra Preta precisa ser TOMBADA como patrimônio baiano

Um pedaço da história da Bahia pouco conhecido pelos baianos 
 
Cercada pelo latifúndio e esquecida no tempo
Rua Cel João Reis. Há uma placa na esquina informando o ano de 1915

Em decadência econômica, a cidade de Serra Preta teve seu passado de glória. Importante entreposto comercial e parada obrigatória para quem se aventurava conquistar sertão, a cidade foi fundada em 1722 (ler mais sobre sua história).

A conquista portuguesa sobre os índios PaiaiáS na região, obrigou os conquistadores a fundar a cidade numa área estratégica, encostada na Serra do Taquari e na beira de uma nascente de Rio. Grandes florestas escureciam o local antes do sol se pôr – origem do nome Serra Preta.

Hoje, muita coisa mudou. Floresta só relatos. Da nascente de rio sobrou apenas o Tanque dos Milagres, conhecido pelos moradores como Tanque Velho. Cercada pelas maiores elevações montanhosas da região, a cidade de Serra Preta conta com um gigante ao oeste: a Serra Grande possui mais de 600 m de altitude.

Abandonada pelo tempo e sem políticas públicas, Serra Preta ainda conserva sua arquitetura do século XIX. O latifúndio cercou há anos o sítio urbano. Serra Preta conta com menos de 900 habitantes, uma das menores cidades da Bahia. Talvez por isso seus casarões, igreja e calçamentos ainda conservam os traços do passado. Porém, nosso blog volta a chamar a atenção para o tombamento Municipal, Estadual e Federal deste patrimônio. Sem dúvida, se Serra Preta fosse localizada em outro Estado mais importante da federação, possivelmente seria patrimônio brasileiro.

Vale a pena redescobrir Serra Preta. Resgatar a sua história, conservar seus casarões e fortalecer a população local, majoritariamente negra, é obrigação do poder público. A riqueza da cidade de Serra Preta está na sua memória, que se perde a cada dia. Qual a cidade baiana que surgiu em 1722, cem anos antes da Independência do Brasil? TOMBAMENTO JÁ!

 NOTA:
O tombamento é o ato de reconhecimento do valor cultural de um bem, que o transforma em patrimônio oficial e institui regime jurídico especial de propriedade, levando em conta sua função social. Um bem cultural é "tombado" quando passa a figurar na relação de bens culturais que tiveram sua importância histórica, artística ou cultural reconhecida por algum órgão que tem essa atribuição.

O nome tombamento advém da Torre do Tombo, o arquivo público português, onde eram guardados e conservados documentos importantes. Fonte: Wikipédia


Fotos: Tanúbio Oliveira
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Conheça mais Serra Preta


2 de março de 2021

SERRA PRETA: Expedição explora parte da Serra Grande

A Serra Grande fica próxima da cidade de Serra Preta,
mas pode ser vista de vários pontos do município.

Há quase 10 anos, o professor Mário Ângelo e o professor Zelito estudam uma visita exploratória na Serra Grande, ponto mais alto do município de Serra Preta, 160 km de Salvador, com seu 619m de altitude. Mas as dificuldades de acesso sempre foi um dos motivos para que o projeto não saísse do papel.

Para o professor Mário Ângelo, a Serra Grande tem valor ambiental imensurável para o município de Serra Preta. Além da beleza impar, os nativos relatam sobre a riqueza da fauna e da flora. Ainda hoje, muitos falam da possibilidade de ser habitat de onça, praticamente extinta no município. Plantas medicinais é fácil de encontrar, já que a reserva possui parte da caatinga natural, embora há relatos que incêndios destruíram boa parte do ecossistema. 

Aventura na Serra Grande

Da Serra Grande, Zé Canuto e seu filho observam a bela paisagem da caatinga 

Neste mês de fevereiro, o professor Zelito Leite postou um vídeo em suas redes sociais, onde relata a tentativa de chegar ao cume da Serra Preta. Segundo Leite, a expedição chegou próximo do ponto mais elevado da serra, mas tiveram dificuldades na trilha escolhida e resolveram retornar. 

Zé Canuto foi o guia da expedição. Conhece bem o local selvagem da caatinga. Certamente, o professor Zelito não contava as dificuldades e resolveu tentar num outro momento. No vídeo editado pelo professor Zelito, é possível se maravilhar com a riqueza de detalhes ensinado por Zé Canuto. Um momento tenso ficou por conta da explicação de Zé Canuto sobre a estratégia da jiboia, cobra não peçonhenta, muito comum no semiárido. Em seguida, a expedição se deparou com a serpente, mas foi um encontro pacífico e respeitoso. 

A Serra Grande, sem dúvida, é um local que pode ser melhor explorado. Zé Canuto relata que era uma região habitada por indígenas. E deve estar certo. A cidade de Serra Preta foi fundada a partir do extermínio dos índios Paiaiás, que controlavam o Tanque dos Milagres, conhecido com Tanque Velho. A cidade fica próxima, na parte nordeste, da Serra Grande. A expedição do professor Zelito explorou a parte oeste da serra, pela Fazenda Santa Clara. 

As terras da parte oeste, lembra o professor Mário Ângelo, foi também cercadas por invasões de homens brancos vindos da cidade de Cachoeira. "Tive uma conversa com Seu Preto, que faleceu com mais de 90 anos, e morava na região da Mandassaia, onde relatou que homens chegaram com mais de 10 negros armados, expulsaram índios nativos e cercaram as terras, dando origem as fazendas que tangenciam a Serra Grande". 

Serra Preta fotografada em 1982. Foto: IBGE

As terras próximas a Serra Grande são valorizadas. A região conta com o clima mais agradável e chovem melhor do que muitas áreas do município. Atualmente, a cultura do gado domina a redondeza. Já foi uma grande área de cultivo de milho e feijão. Com o predomínio da seca e dificuldade de acesso as terras, a produção do cultivo de alimentos caiu, mas no inverno sempre é possível encontrar plantações prosperando. 

A expedição do professor Zelito finalizou com imagens da parte sul do município, onde foi possível avistar a Serra da Melancieira (divisa de Serra Preta com Ipecaetá) e a Serra do Bonsucesso (divisa de Ipecaetá com Feira de Santana). Nas redes sociais, a aventura foi aplaudida pelos internautas, principalmente entre os serrapretenses que não conheciam a área. Muitos já falam em participar de uma nova expedição. Professor Zelito alerta para as dificuldades. Certamente, o sucesso da expedição depende muito de equipamentos necessários, alimentos e um bom guia. Importante também solicitar a visita aos proprietários e recolher o lixo produzidos na expedição. 

Assista ao vídeo






21 de março de 2017

Assessoria de Comunicação do Estado confunde o nome do município de Serra Preta

Governador Rui Costa amplia sistema de abastecimento de água em Santo Estevão
Recebemos todos os dias várias matérias da assessoria de comunicação do Estado. Esta semana, recebemos uma boa matéria sobre a ampliação do sistema de abastecimento de água, que beneficiará os municípios de Santo Estevão, Anguera, Ipecaetá e Serra Preta.

Tudo seria perfeito se o texto oficial não classificasse o município de Serra Preta por “Santa Preta”. Para completar, incluiu Serra Preta no Território de Identidade Portal do Sertão. Na verdade, o município de Serra Preta pertence ao Território Bacia do Jacuípe.

Parece um simples erro, mas não é. No encontro de prefeitos em Salvador, poucos líderes municipais, representantes de governo não conheciam, sem sabiam onde Serra Preta estava localizada. Tal desinformação reflete no ‘esquecimento’ de políticas públicas e na pouca importância que o município parece ter no cenário baiano, o que é grave para a qualidade de vida do povo do município.

Quem não é visto, não é lembrado.

Cidade de Serra Preta, uma das mais antigas da Bahia
João Reis é a primeira rua do município
Serra Preta está a 166 km de Salvador. Apenas 2h de viagem rodoviária. A Estrada do Feijão, bom estado, é a principal via de ligação. A sede do município se elevou a condição de vila em 1722, uma das mais antigas do Brasil, mas não tem sua história reconhecida. Na entrada da cidade há o Tanque dos Milagres, uma nascente de riacho onde os índios Paiaiás bebiam água e foi conquistado pelos portugueses através de forte massacre. A seca abate o município, mas o Tanque dos Milagres continua brotando água e resiste à agressão poluente.

Para ficar em mais um exemplo, a Capina do Monte é uma festa de origem negra, que festeja a abolição da escravatura. Certamente, tem seu início em 1889, mas hoje uma amnésia toma conta do evento. Sem incentivo, apenas dezenas de pessoas comparecem em dezembro para comemorar ou resistir.

Mas por que o poder público ignorou esta história? Simples desconhecimento? Maus gestores? Para preservar o latifúndio? Apagar o legado da comunidade negra? Serra Preta precisa encarar sua história de frente. O prefeito Aldinho garantiu que todo o esforço será feito para colocar Serra Preta numa posição melhor no Estado da Bahia. Com pouco menos de 90 dias de governo, já visitou muitas Secretarias do Estado e pretende investir nos movimentos culturais e na autoafirmação do povo local.

Serra Preta é uma cidade negra e não deseja brilhar apenas com o reflexo do sol, escaldando a pele nos latifúndios do trabalho braçal. O encanto de Serra Preta está em sua história e no legado das poucas esquinas de sua Sede administrativa. O governo do Estado e a Prefeitura precisam investir neste patrimônio baiano antes que tudo se torne apenas literatura memorial.  

Leia o texto da assessoria de comunicação do Estado


“Mais de 116 mil baianos da zona rural dos municípios de Santo Estêvão, Anguera, Ipecaetá e Santa Preta, no Território de Identidade Portal do Sertão, passaram a ter acesso à água tratada, com a entrega de mais um sistema integrado de abastecimento de água realizada pelo governador Rui Costa, nesta sexta-feira (17). O evento de inauguração ocorreu em Santo Estêvão, com a participação do secretário de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (Sihs), Cássio Peixoto”. 

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20 de dezembro de 2014

Serra Preta completou 61º aniversário de emancipação política

Cidade de Serra Preta, fundada em 1722, completa 61 anos de emancipada. 
A charmosa e esquecida Serra Preta completou na última sexta-feira (19) 61º aniversário de emancipação política. A cidade de Serra Preta está localizada apenas 145 km de Salvador, mas são poucos os baianos que conhece sua importância histórica.

Fundada em 1722 e emancipada em 19 de dezembro de 1953, Serra Preta não tem muito que comemorar. A cidade sofre com falta de políticas públicas - tanto Municipal quanto Estadual. Aos poucos, muitos moradores estão se deslocando para Feira de Santana e Salvador em busca de oportunidades. A cidade é a sede do município, mas perde em população e serviços para os seus principais distritos, que são Bravo (12 km da sede) e Ponto de Serra Preta (3 km apenas).

Diversas matérias e comentários escrevemos sobre o abandona de sua riqueza arquitetônica. Chamamos a atenção para a importância do Tombamento da cidade como meio de conservar sua histórica e potencializar a economia da cidade. Cravada na Serra do Taquari, Serra Preta é uma cidade quilombola, que em passado distante servia de entreposto para quem saia do litoral em direção ao sertão. Na entrada da cidade encontra-se uma nascente de riacho abandonada e poluída, porém, conhecido como Tanque dos Milagres ou Tanque Velho.

Em tempos de glória, a festa de Nossa Senhora do Bom Conselho era bastante disputada na região. A devoção era tamanha que as residências mais próximas da Igreja eram valorizadas. Com a decadência, o valor imobiliário não segue a tendência de mercado baiano. Quem pretende alugar uma casa em Serra Preta, dificilmente consegue. Conversando com Tanúbio, morador local, ele informa que os preços das casas circulam em torno de 5 a 15 mil reais.

Serra Preta é palco da Capina do Monte, esta que ultrapassa os 200 anos de tradição; porém, sem patrocínio e apoio público, há cada ano perde a presença de público. Eventos como a Festa de São Pedro, Festa do Trabalhador Rural (a atual gestão não realiza há dois anos) e o Enterro do Ano ainda são os mais atraentes. Desejamos que em 2015 novas perspectivas surjam na história e resistente cidade.



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12 de janeiro de 2022

Internautas aprovam Tombamento Histórico de Serra Preta

O Tombamento Histórico, com uma agenda cultural aquecida, trará emprego e renda para muita gente”

Enquete produzida na plataforma do Instagram

Duas enquetes publicadas pelo Instagram do historiador Mário Ângelo S. Barreto trouxeram revelações positivas sobre o Tombamento Histórico da cidade de Serra Preta. Na primeira enquete, foi questionado: “Você sabe o que é o Tombamento Histórico?” 54% informaram que sabem, mas 46% afirmaram que ainda não sabem.

Na segunda enquete, 81% dos internautas, que acessaram, responderam favorável ao Tombamento e 19% votaram desfavorável. Foi questionado se “você é a favor do Tombamento Histórico de Serra Preta?”. As enquetes ficaram no ar por 24 horas do dia 06 de janeiro de 2022. 836 internautas participaram.

Para o historiador Mário Ângelo, é preciso avaliar enquete de internet com muita cautela. Mas as votações trazem algumas informações que não podem ser desprezadas. “Embora discuto a importância do Tombamento desde 1994, já era esperado que muitos dos participantes ainda pouco sabem sobre o Tombamento e seu valor para a cidade de Serra Preta”, analisou.


A surpresa ficou mesmo nos índices de aprovação do Tombamento, 81%. Embora, Mário Ângelo acredita que pode avançar mais, não só na aceitação, mas na cobrança pública para se iniciar a efetivação do projeto. “A cidade de Serra Preta é um ouro escondido que precisa ser revelado para a Bahia inicialmente. O Tombamento Histórico, com uma agenda cultural aquecida, trará emprego e renda para muita gente”, garante o historiador.

A cidade de Serra Preta foi elevada a vila em 1722. É uma das cidades mais antigas da Bahia, inclusive superando em idade a metrópole de Feira de Santana, que foi elevada a vila em 1832. Feira hoje é a maior cidade, em população, do interior do Nordeste. Já a charmosa Serra Preta é uma das menores cidades do Brasil. A menor cidade do Brasil é Serra da Saudade em Minas Gerais com 786 habitantes. Porém, o historiador Mário Ângelo tem dúvidas e acredita que esse titulo pode ser de Serra Preta.


5 de fevereiro de 2025

Prefeitura de Serra Preta asfalta calçamento histórico sem consulta popular

Asfalto vai destruir a originalidade da cidade de Serra Preta

A Prefeitura Municipal de Serra Preta, situada a 150 km de Salvador, deu início nesta terça-feira (04) à obra de asfaltamento sobre parte do calçamento histórico da cidade, gerando controvérsias e debates quanto a preservação do patrimônio cultural e a falta de consulta à população. O ambiente urbano, que remonta ao período colonial, é uma das principais marcas históricas da cidade de Serra Preta, que foi elevada à categoria de vila em 1722 - cem anos antes do Brasil se tornar independente de Portugal. A intervenção, que modifica a infraestrutura da área, está sendo realizada com recursos provenientes de uma emenda parlamentar do senador Coronel, segundo escreveu na rede social o vereador Cezinha (Partido Republicano), que parabenizou o prefeito Franklin Leite (Avante) pela obra.

O asfaltamento do centro histórico da cidade, até então caracterizado por suas ruas de paralelepípedos, foi anunciado como parte de um "início de uma nova era" na rede oficial da Prefeitura e também no Instagram do prefeito municipal. No entanto, a decisão de modificar o calçamento tradicional gerou críticas entre moradores a respeito do patrimônio histórico, que apontam a importância da preservação das características originais da cidade. Segundo eles, a alteração do calçamento comprometeria a autenticidade de um dos maiores legados culturais de Serra Preta. Sem contar, que pode comprometer a conquista de um possível Tombamento Histórico de uma das cidades mais antigas da Bahia.

Além disso, a obra foi realizada sem uma ampla consulta pública ou envolvimento da população local, o que tem gerado descontentamento. Moradores se queixam de não terem sido ouvidos sobre o impacto de uma mudança tão significativa no visual da cidade, que é um atrativo para turistas interessados em conhecer o legado colonial da região. A falta de um debate mais amplo sobre o projeto  - inclusive sem apresentar parecer técnico - é vista por interessados como uma falha na gestão, que, para muitos, deveria incluir a participação popular nas decisões que afetam diretamente o patrimônio da cidade.


Originalidade ainda mais ameaçada 

Por outro lado, há quem acredita e defende que a obra visa modernizar a cidade. Mas para o historiador Mário Ângelo S. Barreto, o prefeito se precipitou e limita oportunidade de emprego e renda, já que a cidade de Serra Preta tem totais condições de ser reconhecida como patrimônio histórico pelos poderes públicos. "Essa forma artificial de descaracterizar a bela cidade de Serra Preta, abre um precedente perigoso para destruição total da originalidade urbana", denuncia o historiador. Segundo Barreto, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado precisam acompanhar essa investida danosa do gestor. Diz também que a população da cidade precisa cobrar explicações, já que "são os maiores prejudicados", alerta.

Casarios históricos em ruinas precisam ser reformados

Segundo o vereador Cezinha, a emenda de R$ 2.000.000,00 do senador Coronel (PSD) foi fundamental para o financiamento da obra de asfaltamento em ruas já pavimentadas. No entanto, seria um importante recurso para pavimentar ruas de chão batido e sem rede de esgoto. Serra Preta também necessita, com mais urgência, de reformas habitacionais, despoluição do Tanque dos Milagres (Tanque Velho), reforma da Caixa D´Água e até mesmo a construção da Escadaria do Morro da Capina.

Asfalto sobre calçamento de peso cultural é desrespeito com a história da cidade e um desserviço para o futura de novas gerações. Por ironia do destino, nos anos 90,  a cidade de Serra Preta sofreu com a demolição do Barracão centenário na gestão de Antônio Carneiro. Hoje, seu filho Franklin Leite, prefeito reeleito, entra para história como o gestor que descaracterizou o sítio urbano da cidade com o derivado petrolífero, que nem há grande fluxo de veículo que justifique o paradigma. Um outro aspecto, sem dúvida, é a questão ambiental. O processo de asfaltamento, embora agrade alguns, traz impactos muito fortes na temperatura local, provocando desconforto e podendo abalar até mesmo a saúde de moradores. 

Sendo assim, parece que a cidade de Serra Preta realmente corre o risco de perder sua originalidade. O pior de tudo é saber que o poder público, que deveriam proteger, utiliza seus recursos - sem nenhum pudor - para descaracterizar o pouco que resta de valor histórico. A terrinha corre perigo!


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