3 de fevereiro de 2016

RESENHA: Professor Campinho analisa o filme 'The Liberator'

O significado do filme transcende a política do agora, ao romper com as limitações de um país em crise e irradiar orgulho nacional


Recentemente assisti Libertador, cinebiografia de Simon Bolívar. Um projeto interessante, pois embora seja uma obra de propaganda do chavismo e cheio de inspirações bolivarianas, é igualmente uma obra multinacional, financiada pelo governo venezuelano, mas também por capitais privados da Espanha (70% dos fundos que viabilizaram um filme), dos EUA e da Colômbia.
O filme é superlativo em vários sentidos. É a produção sul-americana mais cara da história. Ficou entre os 9 indicados ao Oscar de filme estrangeiro em 2014, mas não integrou a lista filme. Tem uma bela fotografia, uma trilha sonora maravilhosa, lindamente conduzida pelo maestro venezuelano Gustavo Dudamel, e interpretações magistrais de Edgar Ramirez (Caçadores de Emoções, Furia de Titãs 2) e Danny Huston (X-men origins: Wolwerine).
Ainda assim, incorre em incorreções históricas, algo normal em cinebiografias e dramas históricos. O mais perturbador porém é um filme que se pretende um manifesto artístico do bolivarianismo ter ficado de forma tão explícita com cara de cinema de Hollywood. Ou ver Bolívar, alçado à herói da igualdade e da liberdade pelo chavismo, cumprir todos os cânones de uma heroificação a partir de uma interpretação romântica, nós mesmos moldes do William Wallace de Mel Gibson de Coração Valente.
O significado do filme transcende a política do agora, ao romper com as limitações de um país em crise e irradiar orgulho nacional e solidariedade latino-americana. E pro Brasil é um tapa na cara, em tempos de reformulação do ensino de história na educação básica, mostrado como somos ignorantes em termos de história e sociedade na América Latina, como sabemos tanto sobre a Revolução Francesa e tão pouco sobre as guerras de independência latino-americanas. E como ver a representação de personagens históricas como Bolívar, Sucre, Santander seja um alento para deixarmos de nós deslumbrar com os Macri da vida, ou qualquer lacaio das grandes potências internacionais que ocupe o lugar, talvez para pararmos de negar de vez nossa identidade latino-americana

Bernardo campinho
Graduado em Direito pela UFBA,
Mestre e Doutor em Direito pela (UERJ) 

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