por Marília Moreira
Como contar, em um documentário, a história de um personagem real que tem
poucos registros em imagem? A pergunta foi uma das primeiras a que os
cineastas Josias Pires e Joel Almeida se submeteram antes de aceitar o
desafio de realizar um filme sobre o trovador e jornalista popular Cuíca
de Santo Amaro, nascido em 1907, em Salvador, no bairro da Mouraria.
Com
uma trajetória em temas da cultura popular
e em documentários televisivos, Josias Pires desde sempre se mostrou
interessado nessa figura que preencheu as ruas de Salvador dos anos 40 e
50 com seu grito, suas vogais arrastadas e seu ritmo peculiar de contar
as histórias da cidade. É o verbo, aliás, que conduz boa parte do filme
“Cuíca de Santo Amaro” – que está há três semanas em cartaz nos cinemas
de Salvador e que começou a rodar pelo interior da Bahia semana passada
–, seja pelas entrevistas que conduzem boa parte da história e dão
corpo à personalidade do comunicador popular, seja pela narração de
alguns versos contidos nos raros folhetos de cordel assinados por Cuíca
ainda acessíveis.

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