15 de agosto de 2026

15 de agosto: Serra Preta completa 304 anos de história

Município baiano, marcado pelas raízes indígenas, pela presença negra e por um importante passado histórico, ainda enfrenta desafios para preservar seu patrimônio e sua memória


"Olhando fotos e vídeos da cidade de Serra da Saudade, só me convenço de que o título de menor cidade do Brasil pode realmente ser de Serra Preta"

A cidade de Serra Preta, no interior da Bahia, completa neste 15 de agosto 304 anos de história. Localizado a cerca de 155 quilômetros de Salvador, o município carrega uma trajetória que atravessa a presença indígena, a colonização portuguesa, a escravidão e a formação das comunidades que deram origem à cidade atual.

Apesar de sua importância histórica, Serra Preta ainda permanece pouco conhecida fora da região e enfrenta problemas relacionados à preservação de seu patrimônio. Casarões, ruínas e outros vestígios do passado convivem com o abandono e com a ausência de políticas mais efetivas de valorização da memória local.


Uma cidade que nasceu às margens de uma nascente

Governador Jerônimo Rodrigues esteve este ano em Serra Preta

A história de Serra Preta remonta a 15 de agosto de 1722, quando foi fundada como vila. Antes da chegada dos colonizadores portugueses, entretanto, o território já era ocupado pelo povo indígena Paiaiá.

Segundo registros e relatos históricos, os indígenas viviam nas proximidades de uma nascente conhecida atualmente como Tanque Velho. A ocupação colonial modificou profundamente a região, trazendo conflitos, violência contra os povos originários, apropriação das terras e a exploração da mão de obra escravizada.

Esse processo deixou marcas profundas na formação social e econômica de Serra Preta e ajuda a compreender a identidade de uma cidade que também carrega fortes raízes negras.

De vila a município

Serra Preta tem tudo para conquistar o título de menor cidade do Brasil

Ao longo de sua trajetória administrativa, Serra Preta esteve ligada a outros municípios baianos, tendo pertencido a Cachoeira e, posteriormente, a Ipirá.

Foi em 19 de dezembro de 1953 que Serra Preta conquistou sua emancipação política, tornando-se município independente de Ipirá.

A emancipação representou uma nova etapa para a comunidade, mas não apagou as marcas construídas ao longo de mais de três séculos de história.

A discussão sobre a população

Serra Preta também aparece em uma curiosa discussão sobre o tamanho de sua população. Oficialmente, o título de menor cidade do Brasil pertence a Serra da Saudade, em Minas Gerais.

No entanto, o historiador Mário Ângelo S. Barreto contesta os números oficiais e defende uma recontagem da população da cidade Serra Preta, realizada casa por casa. Segundo ele, parte das pessoas que ainda aparecem nos registros já teria deixado a cidade. "Olhando fotos e vídeos da cidade de Serra da Saudade, só me convenço de que o título de menor cidade do Brasil pode realmente ser de Serra Preta". contesta.

A hipótese, caso confirmada por um levantamento oficial, poderia mudar a posição da cidade de Serra Preta nos rankings populacionais do país. Por enquanto, porém, trata-se de uma contestação aos dados oficiais, e não de um título reconhecido pelo IBGE.

Uma história que pede preservação

Foto anterior ao asfaltamento da Praça da Igreja 

Mais do que números populacionais, Serra Preta possui uma história que merece ser conhecida e preservada. As marcas da presença indígena, da população negra e dos diferentes períodos de ocupação permanecem espalhadas pelo território.

Casarões antigos, ruínas e espaços de memória são testemunhos materiais de uma trajetória que atravessa três séculos. Preservá-los significa não apenas conservar construções antigas, mas proteger parte da identidade de uma comunidade, bem como desenvolver emprego e renda através de políticas públicas culturais.

Aos 304 anos, Serra Preta continua sendo uma cidade pequena em população, mas enorme em memória. Celebrar seu aniversário também é olhar para o passado, reconhecer as populações que construíram sua história e cobrar que esse patrimônio não seja esquecido.

Redescobrir Serra Preta é, também, resgatar uma parte da história da Bahia e do Brasil que ainda espera ser devidamente contada, preservada e valorizada.


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