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| Mário Ângelo Barreto e Alex Matos visitaram o Contorno do Bravo e constataram a sinalização rodoviária do limite municipal |
A indefinição dos limites territoriais entre os municípios de Serra Preta e Ipirá, na Bahia, tem gerado insatisfação crescente entre moradores da região, especialmente na área do distrito do Bravo. A situação, que se arrasta há décadas, envolve não apenas questões geográficas, mas impactos diretos na identidade local e na arrecadação municipal.
Serra Preta foi emancipada de Ipirá por meio da Lei Estadual nº 604, de 19 de dezembro de 1953. Desde então, os limites entre os dois municípios passaram a ser definidos por uma linha reta artificial traçada sobre o alto da Serra da Melancieira. No entanto, segundo moradores e lideranças locais, essa demarcação desconsidera características naturais importantes da região, como o rio Paratigi, que historicamente serviria como uma divisão geográfica mais coerente.
O rio Paratigi é o divisor geográfico mais coerente.
Com o crescimento populacional ao longo dos anos, a ocupação da área não seguiu essa linha imaginária. Um dos principais pontos afetados é a região do Bravo, considerada a maior concentração urbana e comercial local. Pela lógica geográfica defendida por parte da população, utilizando o rio Paratigi como referência, o território pertenceria integralmente a Serra Preta.
A indefinição tem reflexos práticos. O contorno do Bravo, por exemplo, é dividido entre os dois municípios, gerando dúvidas sobre a jurisdição de ruas e bairros, como o Novo Bravo e áreas adjacentes. Para muitos moradores, essa divisão compromete a identidade territorial e dificulta a organização administrativa.

Segundo a linha imaginária, a região do Bravo pertence aos dois município
Além disso, há impactos econômicos. Dados do IBGE indicam que Serra Preta já chegou a registrar cerca de 21 mil habitantes na década de 1980. Atualmente, segundo o último censo, o município possui 18.754 moradores. A redução populacional, atribuída tanto ao êxodo rural quanto à perda de território, influencia diretamente na queda de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), cuja distribuição leva em conta o número de habitantes e a renda per capita.
Recentemente, a instalação de placas de sinalização na BA-052, conhecida como Estrada do Feijão, intensificou o descontentamento popular. As placas, fixadas no Contorno do Bravo, indicam a divisão entre Serra Preta e Ipirá, causando perplexidade entre os moradores da região.
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| Prometeram obras, mas não divulgaram sobre os limites municipais |
No último domingo (22), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), esteve no local acompanhado do prefeito de Serra Preta, Franklin Leite (Podemos), onde anunciou obras para a região. O evento ocorreu próximo a uma das placas que marcam a divergência territorial, mas não houve pronunciamento oficial sobre a questão dos limites.
Enquanto isso, a população segue cobrando uma solução definitiva para o impasse, que vai além de uma simples linha no mapa e afeta diretamente o cotidiano, a identidade e o desenvolvimento de Serra Preta.
Bravo deseja se emancipar


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